A Juventude Socialista de Fafe
promoveu no passado 1 de Maio, na sede do Partido Socialista a tertúlia “4
Personalidades, 4 Perspetivas”, que se centrou nas vivências antes e após o 25
de Abril de 1974 dos intervenientes e participantes.
A JS Fafe, convidou 4
intervenientes, militantes do PS e que se destacam no seio da família
Socialista pela sua intervenção política e pessoal. Assim abriram o seu álbum
de memórias e vivências, confidenciando e retratando as suas memórias do antes
e o após 25 Abril.
Num ambiente intimista, a JS Fafe
endereçou assim o convite aos 4 anfitriões que se destacam pela sua
versatilidade e heterogeneidade, com diferentes idades, condições sociais e
económicas à data. Aceitaram o convite dirigido pela JS Fafe o Sr. Francisco
Oliveira Alves, Manuel Salgados dos Santos, Maria Fátima Caldeira e Albino
Costa.
O Albino Costa, interveniente mais
novo, tinha 6 anos à data dos acontecimentos, mas recorda nitidamente sobretudo
o período após. Trazendo nomeadamente a lembrança do seu avô, com o mesmo nome.
Menciona a promoção escolar que o 25 de Abril permitiu, confidenciando mesmo,
se não tivesse existido a revolução dos cravos, eventualmente ter-lhe-ia
restado seguir os passos dos seus pais. Afirmando “ser de esquerda, não foi
apenas uma questão de filiação, mas também o apelo de combater as injustiças,
colocando-me ao lado dos mais pobres” terminando dizendo que “Abril não esta
concluído, é possível reconstrui-lo”
Fátima Caldeira, estudante a data
da revolução confessa não lhe ter dado o devido significado, só dias depois se
apercebeu da dimensão e das implicações da revolução. Recorda as músicas de
intervenção, a projeção que essas músicas tiveram junto dos jovens, evocando
uma em especial do Sérgio Godinho, «Paz, Pão e Habitação». Referencia as 1ª
eleições autárquicas, como uma conquista do poder local, para o seu
desenvolvimento. Confessa que despertou para o gosto pela política, através da
disciplina de introdução à política, assistindo ao filme “Chove sobre
Santiago”.
Manuel Salgados Santos, considera
que foi um privilegiado na altura, visto que à data era um jovem de 20 anos,
docente e que a luta anti fascista sempre foi um dos temas familiares.
Lembra-se que na manhã de 25 de Abril, ele e um grupo de professores tomaram a
escola, com êxtase e com um sentimento de obrigação de trazer lutar pela
liberdade.
Francisco Alves, à data era
administrativo da Fábrica do Ferro, diz que nessa manhã o trabalho foi colocado
de lado. Logo na madrugada, recebeu um telefonema de um amigo, dando conta da
revolução que se vivia na Capital. Nessa manhã, ainda com reticências procurou
pela então Vila de Fafe alguém com quem pudesse partilhar a sua alegria.
Recorda que o medo assombrava o povo, lembrando que naquele tempo, 3 pessoas
juntas eram consideradas pela PIDE, uma multidão. Menciona, o facto de quem
pretendesse integrar qualquer associação era lhes imposto a obrigação de
assinar uma declaração contra o comunismo. Retrata, a inocência e a injustiça
que era auferida aos filhos e familiares dos presos políticos que eram
torturados e levados para Lisboa, mesmo existindo cadeia em Fafe. Recorda no após
25 de Abril os assaltos à antiga sede do partido socialista de Fafe e de como o
PS foi importante para a estabilidade política do país. Por fim, deixou dois
pensamentos interessantes “A liberdade diz muito a quem não a teve”, e “ser de
esquerda é estar do lado direito das coisas”.
A sessão terminou com uma
confraternização entre os participantes.


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