O que pretendo partilhar com
vocês, é algo que me faz agitar por dentro, toca no sentimento de indignação e
de fúria. E isso sucedia-se sempre que a minha atenção se prendia ao televisor
na hora dos noticiários.
Ficou bem evidente, nas últimas
eleições legislativas que o Povo queria a esquerda na rua e assim se abriram
portas para um governo à direita.
Lançadas as primeiras medidas
deste governo após a sua toma de posse, os noticiários davam conta dos
pormenores que saiam Palácio de São Bento. Como é típico do jornalismo, as
televisões portuguesas vinham para rua questionar a população sobre as novas
medidas, entre as quais imposto extraordinário sobre subsídios de Natal, aumento
nos escalões de IRS e IRC, supressão dos feriados, aumento do IVA na restauração
e etc. Confrontadas as pessoas com estas medidas a sua reacção maioritariamente
era de conformismo e de aceitação, respondendo o maior número “Temos de fazer
alguns sacrifícios” ou “ Não temos alternativa, vamos ter que cortar noutras
coisas”. Bem, na sua maioria o tom de voz com que comentavam as notícias sobre
os cortes e aumentos era de consentimento e de aprovação.
E é, este conformismo claro do
Povo, que fomentava dentro de mim o sentimento de revolta. E eu pensava! Como é
possível os portugueses não reagirem? Como é possível nós seremos tão
comodistas com as situações? Questionava-me pelo porquê das respostas dos
portugueses, e pensava nas respostas que eu própria daria.
É certo que Povo esperançava
por mudanças, mudanças que interviessem no sentido de colocar o país nos eixos,
e as pessoas esperaram 1 mês, meio ano, 1 ano e as mudanças que se registaram foram
tudo, menos o que aguardavam. Foi então, em consequência dessa espera que os
portugueses desesperaram, e o Povo acordou
e Atitude mudou.
A postura passou de passividade
para uma atitude de revolta e indignação, através de reacções actualmente bem visíveis
nas manifestações e as greves gerais.
Termino, dizendo que nenhum de
nos deverá aceitar as decisões que os outros tomam por nós, sobretudo se elas
não vão ao encontro dos nossos ideais ou estão em contra-senso a nossa opinião,
seja o assunto a politica, a nossa vida pessoal e/ou a vida profissional. Se
felizmente vivemos num país democrático, usá-la-emos em nosso proveito para
exprimir verbalmente o que nos descontenta, sem esquecer de contribuir de forma
construtiva para melhorar a sociedade.