Numa altura em que toda a gente fala de crise, desgraça financeira aceito o desafio de escrever esta pequena “Crónica”, não para vos maçar ainda mais sobre a situação insustentável da nossa economia, mas sim de como as pessoas começaram a olhar para o seu semelhante, quando este decide continuar a sua formação mais além.
Num país de raízes maioritariamente rurais começamos a ter uma geração formada (tecnicamente, tecnologicamente, licenciada, mestrada, doutorada, pós graduada,…), muitos dizem que já são demais e que devemos deixar de investir na educação e deixar de estudar. Às vezes pergunto: “Para que estudo?”, logo tenho a resposta: “Para saber cada vez mais”, pois saber cada vez mais não ocupa muito espaço, comparado com aquele que ocupa o número de informação irrelevante que me podia entrar se não ocupasse a mente com o estudo.
Portanto agora criou-se um estigma sobre aqueles que tem uma valorização académica, aqui a dias, estava eu muito sossegado no meu canto (o que é raro, por sinal) e alguém me dizia: “ Então já acabaste o curso?”, Respondi: “Sim já, agora estou a tirar o mestrado”, a pessoa pareceu que viu algo do outro mundo e voltei a interpelar para explicar: “como vejo o futuro incerto, decidi continuar a minha formação para assim ter uma formação mais alargada”, a seguir surgiram todos os típicos argumentos: “Estudar está tão caro, estudar para quê?”, Sarcasticamente respondi naquele dia e respondo sempre: “O Estado não precisa de dinheiro, então não existe melhor contributo para o estado do que eu pagar para conhecer ainda mais e assim quem sabe ajudar o meu país a ser um pouco melhor”.
Como Jovem sinto claro às vezes um pouco de angústia por não saber bem o que o futuro me reserva, mas fico ainda mais angustiado quando penso que muitos jovens gostariam de contribuir com a sua formação para a melhoria do país, e talvez não consigam continuar os seus estudos por um retrocesso e bloqueio das políticas adotadas. Posso estar errado, mas penso que o acesso à educação será cada vez mais dificultado e o abandono escolar voltará a ser precoce, o que voltará a empobrecer o nosso país, pois eu acredito que a formação e a aprendizagem nunca fez mal a ninguém, apesar de como diz o provérbio árabe “Quem estuda e não pratica o que aprendeu é como o homem que lavra e não semeia”, portanto se não praticarem no trabalho, pratiquem na sociedade e no quotidiano, pois só falta mostrar que estudar não é só útil no trabalho, mas também no contacto com as pessoas e com a sociedade.
Diogo Antunes
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